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Gastronomia

Uma Mamma no Sertão

A chef Tereza Paim, um dos maiores expoentes da cozinha baiana tradicional, fala da inesquecível lasanha que comia em tabuleiros na infância

Falar de prato favorito quando se está diante de uma cozinheira, e ainda por cima uma bem gulosa, é tarefa quase impossível de cumprir com justiça.

Sou nascida em Tanquinho, no sertão da Bahia, uma terra árida e fértil, onde se criam bodes, carneiros e bois gordos. Cresci em uma família grande – só de tias maternas são sete. Dá para imaginar o tamanho das nossas mesas, não é? Cresci em contato próximo com carnes de caça, pois meu avô comia tudo que se mexia, de cobra a tatu. 

Ela trazia uns tabuleiros imensos de lasanha, feitos com massa fresca, embebidos no molho de manjericão que plantava no quintal da casa dela

Peixes só mesmo na Páscoa, quando chegava o bacalhau, ou quando se fazia o esvaziamento das represas de nossas fazendas. Era muito lúdico praticar pescaria de rede e todo o peixe era enrolado na palha da bananeira, jogado dentro das valas com carvão.
Massa só o macarrão com galinha de molho pardo aos domingos.

Festa sempre foi sinônimo de comilança em nossa família e nossa cidade. Foi em uma dessas ocasiões, quando eu tinha 5 anos, que a família da minha tia Sandra mudou minha vida. Baiana, ela se casou com meu tio Sando, um imigrante italiano que foi parar em Feira de Santana. Portal do sertão, Feira é uma terra árida, onde se come muita carne bovina, caprinos e ovinos. 

Com meu tio sempre vinha a mãe dele, dona Rina, uma legítima mamma italiana, que produzia suas massas em casa. Para acompanhar as festas de nossa família, ela trazia uns tabuleiros imensos de lasanha, feitos com massa fresca, embebidos no molho de manjericão que ela plantava no quintal da casa dela. Um sabor e aroma enlouquecedores.

Daí fiquei bem acostumada e viciada, mas a régua de exigência com relação às massas ficou nas alturas. Todo canto por onde andei nesse mundão de meu Deus, eu tentei achar, em vão, a lasanha de dona Rina, até o Fasano abrir em Salvador.

Hoje estou novamente viciada na lasanha, mas a do Fasano. Toda vez que me perguntam o que eu comeria no restaurante do hotel, que abriu em Salvador há um ano, fico tentando mudar o prato, mas minha cara me denuncia e meu coração não me deixa mentir:
LASANHAAAAAA!!!

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